quarta-feira, 3 de junho de 2026

Perguntas e respostas: O método cartesiano, de John Cottingham

1 – Qual é a interpretação de John Cottingham acerca da dúvida hiperbólica (ou cogito cartesiano)?i

Descartes, na busca pela verdade, buscou rejeitar como se fosse falso tudo aquilo em que possa imaginar existir a menor dúvida, de forma a poder verificar se haveria algo que fosse completamente indubitável. Supôs, então, que nada era aquilo que o havia levado a acreditar. Rejeitou todos os argumentos que anteriormente havia aceito como provas demonstrativas. Por último, aceitou que tudo o que alguma vez havia atravessado a sua mente não era mais verdadeiro do que as ilusões dos sonhos. Porém, enquanto tentava pensar que tudo era falso, ocorreu que era necessário que ele, que tudo isto pensava, fosse alguma coisa. Percebendo que a verdade “Penso, logo existo” era irrefutável, decidiu aceitá-la como primeiro princípio (auto-evidente, certo) da filosofia que buscava.

Na primeira Meditação, da obra Meditações (Meditationes de prima philosophia, in qua Dei existentia et animæ immortalitas demonstratur - 1641), Descartes apresenta suas sucessivas vagas de dúvida, divididas em 12 fases. Na conclusão da referida obra, Descartes encontra sua primeira posição firme, a máxima “Existo”. Para Cottingham quase todas as fases da tese cartesiana foram sujeitas à critica exaustiva pelos comentadores; porém muitas das objeções habituais são irrelevantes para o projeto de Descartes. a) Contudo, Descartes via como objetivo genérico da primeira Meditação o “afastamento da razão dos sentidos” e a sua eventual posição filosófica no papel da percepção sensorial reduzirá a importância dos sentidos a favor do intelecto. Somente a razão que corrigiria o erro dos sentidos. Os sentidos isolados só nos fornecem dados para o raciocínio; a razão ou o intelecto é necessário para julgar quando os dados são contraditórios. b) O segundo argumento mais importante da Primeira Meditação, o chamado “argumento dos sonhos” provocou críticas consideráveis. Cottingham traz perspectivas da ciência moderna em descrever detalhes sobre a frequência, duração e implicações fisiológicas das experiências oníricas, como o “falso despertar” e o “sonho lúcido”. Sobre o último, Cottingham aponta que é possível ter uma experiência onírica na qual se experimenta a dúvida sobre se se está acordado. Segue-se o fato da pessoa ter dúvidas sobre se está acordado não é garantia de o estar de fato. Outros críticos da tese dos sonhos contestaram a insistência de Descartes de que não há sinais verdadeiros para se distinguir entre estar acordado e estar a dormir. Para Cottingham, o artifício mais surpreendente para induzir a dúvida seja a suposição da existência de um demônio perverso disposto ao engano universal. A introdução do demônio constitui um modo irônico de realçar que, de um ponto de vista subjetivo, não tenho garantias, aqui e agora, de que a minha experiência presente seja mais do que uma série de quimeras efêmeras e imateriais, sem fundamento algum em qualquer realidade estável e duradoura. Na Primeira Meditação, Descartes fala de um possível fundamento para dúvida acerca de todas as coisas, especialmente as materiais. No decurso da Meditação, o filósofo menciona outro tipo de dúvida, relacionada com o meu conhecimento da matemática, uma disciplina que trata apenas de termos gerais e muito simples. Porém, Descartes aponta que podem existir erros na intuição de tais verdades. O fulcro da “dúvida cartesiana” é que esta é um meio para atingir um fim; é um mecanismo para produzir os primeiros princípios (verdades auto-evidentes, indubitáveis). Apenas se se entender a dúvida até o ao seu limite máximo se poderá descobrir o que é impossível de ser posto em dúvida; e ao descobrir que consegue sobreviver mesmo às dúvidas mais extremas e exageradas, poderemos construir alicerces firmemente inabaláveis para a filosofia. Nas Meditações, Descartes pontua que o que interessa em todo este processo é a busca dos primeiros princípios. Descartes sinaliza que poderá provar que os alicerces são verdadeiros a partir da rejeição de tudo que pudesse encontrar a menor possibilidade de dúvida, “pois é certo que os primeiros princípios que eram impossíveis de rejeitar desta maneira, quando alguém os considerava atentamente, eram os mais claros e os mais evidentes”.

O ponto de partida da filosofia de Descartes é Cogito ergo sum (Penso, logo existo). Porém, para Cottingham, a exposição que melhor ilumina o fio do pensamento que descobre a primeira posição firme de Descartes está nas Meditações, de 1641, na qual afirma “Eu sou, eu existo”, cuja afirmação é pura e simples. Porém, o que garante a de certeza de “eu existo” é, para Descartes, um processo de pensar; a premissa “Eu existo” é verdadeira sempre que for formulada na mente. O aspecto mais surpreendente das explicações que o próprio Descartes fornece sobre a tese “Cogito” é o de que a certeza que ela envolve nasce do fato de o pensador ter levado a dúvida até o limite. A última vaga de dúvida na Primeira Meditação envolvia a hipótese exagerada de haver um demônio propenso ao engano universal: quaisquer das nossas convicções poderiam ser falsas, porque esse demônio poderia estar a enganar-nos. Porém, se se estiver na dúvida, se se alimentar a possibilidade de se estar a ser enganado, então o próprio fato de se estar vivo para poder alimentar a dúvida demonstra que temos de existir. No diálogo A busca da Verdade, Descartes afirma que “existe-se e sabe-se que se existe e sabe-se isso justamente porque se duvida”. Se estou a duvidar, e isso não posso duvidar, estou a pensar, pois duvidar é pensar. Cottingham entende que a validade do argumento do “Cogito” pode ser definida: a) primeiramente, a premissa “Penso” possui uma indubitabilidade especial; b) dado que se está indubitavelmente consciente de que neste momento se está a pensar, então conclui-se da nossa própria existência. Assim, enquanto se estiver realmente ocupado nesta atividade, não se poderá não existir.

Sobre a interpretação do cogito ergo sum, Cottingham aponta para a existência de uma interpretação “menor” ou “restritiva”, na qual a premissa da tese terá de ser analisada como se referindo a um ato “cogitativo”, ou seja, um ato de natureza especificamente intelectual. Já a posição mais lata do argumento, defende que qualquer ato mental bastará como premissa para a tese “Cogito”. Porém, para Cottingham, essa interpretação é filosoficamente menos satisfatória do que a interpretação restritiva, por duas razões. A primeira, porque assenta na doutrina da transparência epistemológica da mente, na qual esperava-se que Descartes discutisse; porém, nenhum argumento destes se encontra nas exposições da tese do “Cogito”. Em segundo lugar, a interpretação ampla não consegue apreender o sentido de como a certeza do “Cogito” é “banida” do método da dúvida. Para reconciliar o conflito entre as interpretações restritas e as alargadas da tese do “Cogito”, será necessário interrogar por que razão Descartes, ao explicar o significado do termo “pensamento”, o define em termos tão amplos. A razão para classificar atividades variadas como a compreensão, o querer, gostar, detestar, imaginar e o sentir como gêneros de pensamento é que em cada um dos casos está envolvido um ato intelectual de consciência. O pensamento é definido (na Segunda Réplica e nos Principia philosophiae - 1644) como aquilo que está dentro de nós de tal forma que disso estamos cientes (conscins) ou temos consciência (conscientia). O elemento crucial é que consciência não é a vontade ou a imaginação, ou o fato de se amar ou desejar ou temer; será uma atividade especificamente intelectual e reflexiva. A partir das implicações da definição alargada de “pensamento” feitas por Descartes, Cottingham verifica que, no fim, estas apoiam a interpretação restrita que confere infalibilidade à tese do “Cogito”. In nuce, quer o pensador parta do cogito no sentido lato, que engloba qualquer ação mental consciente, ou do cogito no sentido mais restrito, que se refere as atividades reflexivas do intelecto, a sua atividade mental irá sempre compreender ato de pensar no sentido simples e restrito do termo; e não podendo duvidar de que está a pensar (já que duvidar é um tipo de pensamento) terá, portanto uma premissa indubitável da qual extrai a conclusão certa que existe. Embora a reedificação de cogito ergo sum não invoque premissas dissimuladas, para que o pensador possa atingir o conhecimento de sua própria existência pela via delineada, terá se pressupor que existe da sua parte um prévio conhecimento disso. Primeiro, para saber, indubitavelmente, que está a pensar, terá de saber o que significa o que significa pensar e terá de saber que duvidar é uma forma de pensamento. Em segundo lugar, para poder inferir que existe enquanto continuar a pensar, terá de saber que para se ocupar em atividade de pensamento, é necessário que exista. Descartes admitiu, nos Princípios, que este gênero de conhecimento prévio necessário. Segundo Cottingham, a tese de “Cogito” é apenas o “primeiro passo” do sistema cartesiano, visto tratar-se da primeira verdade existencial a que ele chegou. Para conseguir chegar a tal conhecimento, o pensador da dúvida cartesiana terá de ter à sua disposição um instrumental completo de conceitos fundamentais que sabe manobrar de forma clara e racional (o que é dúvida, existência etc). Descartes não pretendia reconstruir completamente toda a cognição humana, mas seu objetivo era o de estabelecer bases seguras para as ciências e demonstrar que é possível adquirir um conhecimento sistemático do mundo e do que existe. E ao ocupar-se do método da dúvida sistemática, ele consegue demonstrar que existe um ser (ele próprio) de cuja existência real não se poderá duvidar.

2 – Qual é a compreensão e caracterização de Cottingham sobre o tipo de conhecimento que Descartes buscou provar?ii

René Descartes, acreditando estar destinado a fundar um novo sistema filosófico, defendia a ideia e que a verdade era facilmente acessível ao intelecto do ser humano normal, se este pudesse ser orientado corretamente. Para o filósofo francês, cada indivíduo possui um poder de raciocínio (inato) dado por Deus, com o qual poderia distinguir o verdadeiro do falso.

Para Descartes, o verdadeiro conhecimento é mais aberto, simples claro e certo (não era encoberto, nem complexo, obscuro ou pleno de dúvidas, conforme descreviam os pensadores de princípios do século XVII). O conhecimento filosófico, conforme Descartes concebia nos seus escritos iniciais, possui três características principais, que Cottingham rotula de unidade, pureza e certeza.

Ao insistir na unidade/unificação do conhecimento, Descartes opôs-se à visão “separatista” aristotélica/ escolástica da ciência como um conjunto de disciplinas separadas, cada uma com os seus métodos e níveis de rigor próprio. Descartes entende que “todas as coisas que podem fazer parte do conhecimento humano estão interligadas” (como um conjunto de teoremas em matemática); a cadeia de ligação poderá ser longa, mas cada elo da cadeia poderá ser simples e fácil de compreender.

No que tange à pureza, Descartes sentia que o conhecimento predominante era majoritariamente corrompido por incoerências e inexatidões, necessitando, portanto, de um sistema que estivesse “isento de máculas de qualquer falsidade”. Nas Regras para a Direção do Espírito (Regulae ad directionem ingenii - 1684), Descartes pontua que algumas verdades de fundamental grau de pureza já haviam sido descobertas pela humanidade: as da aritmética e geometria. Estas estariam relacionadas com um objeto puro e simples que não fazem nenhumas suposições que a experiência possa duvidar. Cottingham atenta que Descartes reconheceu posteriormente que as provas da metafísica eram mais exatas do que as da matemática.

Sobre a noção de certeza, Descartes entende que o filósofo é o que busca a sabedoria ou a compressão, aquele que aspira a um nível do conhecimento além do vulgar (supra vulgus sapere cupit). O filósofo persegue também a scientia, ou seja, a cognição certa e evidente (Regra Dois das Regulae). Cognição certa é o oposto do que é meramente provável (probabilístico). Descartes propõe que, ao argumentar, em vez de se começar com base em opiniões recebidas ou em meras conjecturas prováveis, se deveria começar com premissas, cuja verdade se consiga intuit (intuir). Intuição é a cognição intelectual do gênero mais simples, claro e direto (clareza é uma preocupação mental quando ela está presente e é acessível à mente atenta). Dito de outro modo, Descartes define que intuição é a concepção de uma mente clara e atenta, que é tão fácil distinta que não pode deixar lugar à dúvida sobre aquilo que se apreende. In nuce, a intuição é concepção indubitável de uma mente clara e atenta que provêm exclusivamente da luxe rationis (luz da razão) (poder cognitivo inato da mente).

Descartes utiliza a explicação acerca do conhecimento baseado na apreensão mental direta, ou intuição, para sugerir uma metodologia prática nas Regulae, ou seja, um conjunto de princípios para orientar ou ordenar o intelecto na busca da verdade. Em suas palavras: “Todo método consiste em ordenar e agrupar os objetos nos quais deveremos concentrar o nosso poder mental se desejarmos descobrir alguma verdade. Seguiremos este método com exatidão se, desde o início, reduzirmos as questões complicadas e obscuras substituindo-as, passo a passo, por outras mais simples e depois, começando pela intuição das mais simples de todas, tentarmos conhecer todas as outras, através dos mesmos processos”. Cottingham critica o método cartesiano que busca ordenar o intelecto na descoberta da verdade questionando sobre sua utilidade real. Nas Regras Oito e Nove, Descartes entende que a verdade está ao nosso alcance, se escolher o que é claro e simples, e se evitarmos o que é confuso e obscuro. Cottingham, porém, questiona novamente “como funciona exatamente este método na prática”? Descartes continua a fornecer exemplos deste método na prática, mas nos documentos existentes nas Regulae estes se limitam aos “problemas perfeitamente compreendidos”, que são problemas que podem se expressar em termos de equações matemáticas. Cottingham problematiza se o conceito de intuição de Descartes terá aplicação prática fora da esfera matemática. Seria razoável dizer que o intelecto apenas “vê” a verdade das proposições matemáticas muito elementares como “um triângulo tem três lados”, já que a “auto-evidência” envolvida parece depender diretamente das definições dos termos implicados. Porém, Cottingham questiona se temos algumas “intuições” correspondentes de um gênero não-matemático que poderão servir como base para a solução de problemas filosóficos. Parte da resposta está na Regra Doze, onde Descartes introduz a sua doutrina de “naturezas simples”, que são assuntos que o “intelecto reconhece como auto-evidentes e que nunca contêm falsidade”. Contudo, Cottingham aponta que a linguagem de Descartes utiliza uma linguagem imprecisa, segundo padrões filosóficos modernos, para falar sobre as suas naturezas simples. Descartes divide as naturezas “intelectuais” que a mente reconhece estar sujeita a um gênero de luz inata, sem o auxílio de nenhuma imagem corpórea; é o reconhecimento destas naturezas que nos permite compreender o que é o conhecimento, ou o que são a dúvida e a ignorância, ou o que e a vontade. Em segundo lugar, existem naturezas “corpóreas”, como a forma, extensão e o movimento, que são consideradas como pertencendo apenas aos corpos. E em terceiro lugar, existem as naturezas “comuns”, como a duração e a existência, as quais poderão pertencer aos fatos corpóreos ou a intelectuais; as naturezas comuns também incluem “noções comuns”, que são verdades lógicas elementares como as coisas que são iguais a uma terceira são iguais entre si. Estas várias naturezas (intelectuais, corpóreas e comuns) funcionam, segundo Descartes, como a estrutura elementar de onde o nosso conhecimento é sistematicamente construído. “Todo o conhecimento humano consiste unicamente em se adquirir a percepção clara de todas essas naturezas simples contribuem para a composição de outras coisas”.

Cottingham critica a doutrina da intuição das naturezas simples pelo intelecto, apontando que esta se reveste de uma qualidade estática pouco satisfatória. A mente humana pode adquirir um conhecimento correto e sistemático, se começar pela cognição daquilo que é auto-evidente. Porém, não há nenhum mecanismo para orientar a mente na direção certa, nem processo algum para separar o que é falso do que é verdadeiro, nem há algum sentido do movimento e do esforço da mente para se aproximar da Verdade. Posteriormente, na parte Quatro do Discurso do Método (Discours de la méthode pour bien conduire sa raison, et chercher la vérité dans les sciences - 1637), propõe uma aproximação filosófica nova e dinâmica: o “método da dúvida”, na qual Descartes demonstra como a rejeição sistemática das crenças que estejam sujeitas a mais leve dúvida poderá servir para a filosofia como veículo para a descoberta de um ponto de partida segura.

Referências bibliográficas e notas:

Cottingham, John. Descartes. Tradução: Maria do Rosário Sousa Guedes. Rio de Janeiro: Edições 70, 1986, p. 39-69.

Link da imagem: <https://www.johncottingham.co.uk/Descartes/files/descartes-copy.jpg>. Acesso em: 03 jun. 2026.

i Resumo: A dúvida hiperbólica é um método radical criado por René Descartes para encontrar uma certeza absoluta e inabalável. Trata-se de uma dúvida exagerada — ou "hiperbólica" — que rejeita tudo o que apresente o menor sinal de incerteza, incluindo sentidos e a realidade, para encontrar um alicerce sólido para o conhecimento. As Etapas da Dúvida: a) Argumento dos Sentidos: Os sentidos enganam (ex: um bastão na água parece torto), logo, não são totalmente confiáveis. b) Argumento do Sonho: É difícil diferenciar a vigília do sonho, então a realidade física pode ser uma ilusão. c) Gênio Maligno: A hipótese extrema de que um ser superior engana nossa mente continuamente, o que leva a duvidar até de verdades matemáticas. O Resultado: Após duvidar de tudo, Descartes percebe que não pode duvidar de que está duvidando. Se duvida, pensa; se pensa, existe. Essa é a base: Cogito, ergo sum (Penso, logo existo). Objetivo: Não é ser cético, mas usar a dúvida como um filtro para chegar a ideias “claras e distintas”.

ii Resumo: René Descartes buscou provar a existência de um conhecimento absolutamente seguro, indubitável e universal. Insatisfeito com as incertezas da filosofia de sua época, ele queria estabelecer bases sólidas para as ciências, buscando princípios que pudessem ser conhecidos sem qualquer sombra de dúvida. Para provar a possibilidade desse conhecimento verdadeiro, ele utilizou os seguintes pilares: a) Racionalismo: Defendeu que a razão (e não os sentidos, que podem nos enganar) é a única via confiável para alcançar a verdade; b) Dúvida Metódica: Rejeitou temporariamente qualquer crença que apresentasse a menor possibilidade de dúvida para ver o que restaria de absolutamente certo; c) O Cogito: Ao duvidar de tudo, concluiu que não poderia duvidar de si mesmo enquanto duvidava. Formulou assim a famosa máxima "Penso, logo existo" ("Cogito, ergo sum"), provando a primeira verdade indubitável; d) Ideias Inatas: Acreditava que os conhecimentos mais puros e verdadeiros (como verdades matemáticas e a ideia de perfeição) já nascem com a nossa razão, sendo impressos por Deus.

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