terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Apologia da Filosofia

A Filosofia deve estar atrelada à existência do homem, aqui e agora (presente). Nesse sentido, a filosofia direciona-se ao indivíduo, e dá espaço para aqueles que são movidos pelo desejo de verdade.

Quem não se interessa por filosofia, trata com desdém questões fundamentais da vida. Como afirmou Karl Jaspers, “ela é perigosa” (1), pois permite os indivíduos verem as coisas “a uma qualidade insólita”, e os leva a rever seus juízos. Para muitos, é melhor não pensar filosoficamente.

Na perspectiva dos políticos que estão no poder, é melhor que não exista Filosofia, pois “massas e funcionários são mais fáceis de manipular quando não pensam, mas tão somente usam de uma inteligência de rebanho” (2).

Quem é o personagem de interesse da filosofia? O homem. Nessa ótica, o filósofo deverá escutar o que ele diz, observar os seus atos, interessar-se por suas palavras e ações, no intuito de compartilhar o destino comum da humanidade.

Um dos grandes problemas da filosofia é que ela é “perturbadora da paz” (3), pois busca à verdade total, aquela que o mundo não deseja. Porém, o que seria, ou como seria a verdade? Em síntese, ela não é estática e definitiva, “mas movimento incessante, que penetra no infinito” (4). O filósofo deve ter a consciência que a verdade está em constante conflito, mas deve despi-la de violência. O diálogo com outros pensadores contribui para o processo de transparecimento da verdade. Para Jaspers, “a dignidade do homem reside em perceber a verdade. Só a verdade o liberta e só a liberdade o prepara, sem restrições, para a verdade” (5).

Dito isso, o filósofo estará incumbido de viver para a verdade e estar sempre interrogando, independente de onde for, das situações que lhe aconteça, ou, ainda mesmo, diante de seu próprio juízo de valor.

A filosofia está acessível a todos? Para Platão, não. Mas para Imannuel Kant, sim. Jaspers ressalta que o homem comum pode compreender os grandes homens e intelectuais do passado, apropriar-se do que realizaram, aproximar-se deles, com respeito, porém não deve divinizá-los. Não obstante, a filosofia é uma grande força que leva o homem a encontrar o caminho para a liberdade. “Só ela possibilita a independência interior” (6). E essa independência é obtida exatamente quando reconheço que (em minha liberdade, em minha razão) “fui dado a mim mesmo”; e, se atinjo o ponto em que sou dado a mim mesmo, distancio-me de mim. Afastando-se de minha ótica, contemplo o que acontece e o que faço.

Em qual aspecto o filósofo perde sua liberdade? Quando sua independência se mescla com orgulho. Filosofar permite ter lucidez sobre as variadas formas de nossa dependência, mas de um modo que, “em vez de permanecermos esmagados por nossa impotência, encontramos, a partir de nossa independência, meio de recuperação” (7).

Atualmente, qual o papel da filosofia? Primeiramente, ensina a não nos deixarmos iludir. Ao encarar a catástrofe possível, ela faz surgir a inquietude, porém proíbe a atitude de tornar inevitável a catástrofe. “Com efeito, apesar de tudo, o futuro depende também de nós” (8). Mesmo diante do desastre possível, a filosofia, ainda sim, preservaria a dignidade do homem em declínio. Apoiado na verdade, o homem encara seja o que for.


Bibliografia e notas:

1 – JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico. 16ª ed. São Paulo: Editora Cultrix, 2002: 139.

2 – Idem, 139.

3 – Idem, 140.

4 – Idem.

5 – Idem.

6 – Idem, 144.

7 – Idem.

Imagem disponível em<: https://static.significados.com.br/foto/filosofia-og.jpg?class=ogImageSquare>. Acesso em: 09 jan. 2025.

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