sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Avareza: quando o homem é escravo de seus bens

O homem pode tornar-se refém de si mesmo? Sim. A avaria prende, sufoca, amortiza o ser que busca acumular tudo para si, temendo faltar no futuro. O avarento, além de privar-se de gastar o próprio dinheiro, economiza também afetos, sentimentos e emoções. O termo a avareza, do latim, avaritia, significa apego excessivo ou sórdido ao dinheiro para o acumular. Sovinice.

Ainda na Antiguidade, o filósofo grego Plutarco (46 d.C - 120 d.C.) afirmava que "A avareza é um tirano bem cruel; manda ajuntar e proíbe o uso daquilo que se junta; visita o desejo e interdiz o gozo". Já Epicuro (341 a.C. - 270 a.C.) compreendia que "Não é o que temos, mas o que desfrutamos que constitui a nossa abundância".

O historiador José Alves F. Neto chama a atenção que, na tradição judaico-cristã, a avareza foi considerada um dos sete pecados capitais por sua desconfiança em relação à vontade divina (descrença na providência divina), ser contrária à prática da caridade e substituir o amor à Deus pelo amor "às coisas". Das várias passagens bíblicas que corroboram essa perspectiva, destacam-se:

  • "Quem ama o dinheiro nunca terá o suficiente. Quem ama a riqueza nunca se satisfará com o que ganha. Não faz sentido viver desse modo!" (Eclesiastes 5:10, NVT).

  • Em Marcos 8:36, NVI, Jesus questiona "De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?". Mais adiante, afirma: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de cada um não consiste na abundância das coisas que possui" (Lucas, 12:15, JFA).

Ainda sob a perspectiva cristã, Santo Tomás de Aquino (1225-1274) entende que a avareza está ligada à traição, mentira, fraude, perjúrio, inquietude, violência, "dureza de coração" e a incapacidade de ver felicidade e em compartilhar.

Historicamente, a avareza foi tratada sob diferentes perspectivas (antiguidade; medievo: a riqueza era limitada, "poupar é assegurar-se"; era moderna, riqueza ilimitada, "poupar para enriquecer"; e contemporânea, riqueza inatingível, "produz desejos imaginários"). Também foi repensada por variadas cosmovisões religiosas e intelectuais de diferentes épocas.

Em resumo, pode-se dizer que não que há virtude alguma na avaria, que escraviza o ser, entorpece-o, tanto em aspectos físicos, quanto metafísicos, e torna-o alguém temeroso, insaciável e relutante à ótica judaico-cristã.

Referências:

NETO, José A. F. Quando o muito é pouco: a avareza. Café Filosófico CPFL. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=dXUNHdLxIdQ>. Acesso em: 31/08/2023.

Link da capa, disponível em: <https://encenasaudemental.com/wp-content/uploads/2013/05/capa-avareza.jpg>. Acesso em: 31/08/2023.

Nenhum comentário:

Postar um comentário